Lei Maria da Penha é conhecida por 91% da população

21 | 06 | 2013
Assessoria de Comunicação Toledo Prudente
Assessoria de Comunicação Toledo Prudente
Vergonha. Exposição. Mudança do parceiro. Esses são alguns dos motivos pelos quais, segundo a Promotora de Justiça e Coordenadora do Grupo de Atuação Especial de Enfrentamento à Violência Doméstica – GEVID – Núcleo Central, Valeria Diez Scarance Fernandes, levam as mulheres a não denunciarem a violência que sofrem.
 
Além desses fatores, a promotora ainda expôs que o mau atendimento por parte das autoridades e o mito do esquecimento também são causas que levam as mulheres a esconderem que são agredidas.
 
“Outro ponto importante é o fato de muitas mulheres não acharem que são vítimas da violência; elas pensam que merecem apanhar e os homens não acreditam que são agressores”, explica. 
 
Valeria participou na noite de ontem (20), na Toledo do evento “Lei Maria da Penha: desafios e conquistas” e ministrou uma palestra sobre o tema “A mulher vítima de violência”.
 
Ela ainda apontou que não há um perfil definido das mulheres que sofrem a agressão e que a violência pode atingi-las em todas as classes sociais. 
 
“A violência é vivida e não é denunciada, porque existe a Síndrome do Desamparo Apreendido que consiste na repetição do ciclo de violência, o que leva à falta de reação”, expõe. 
 
Ainda durante o evento, Silvia Chakian de Toledo Santos, também Promotora de Justiça do Grupo de Atuação Especial de Enfrentamento à Violência Doméstica – GEVID – Núcleo Central, abordou a temática “Violência Doméstica: um problema de todos”.
 
Ela disse que é preciso repensar a violência doméstica, porque ela exige um enfoque multidisciplinar.
 
“É necessário desenvolver um trabalho com o agressor, porque mesmo que ele seja preso, o problema não é resolvido; ao sair da cadeia, mesmo que não volte para sua casa, ele irá constituir outra família e irá agredir a nova esposa. A forma de produção de prova também deve ser alterada. As mulheres precisam também de uma rede de atendimento estruturada e, ainda, é preciso que os agentes que trabalham no atendimento sejam treinados para que os conceitos preconceituosos sejam deixados de lado”, comenta.
 
Silvia expõe que é desenvolvido um projeto trivalente entre vítima, agressor e sociedade.
 
“O Projeto Acolher promove orientação à vítima logo que a investigação começa. A Audiência Magna é um projeto específico com as mulheres que voltaram atrás logo depois de terem denunciado o agressor e o Projeto Instruir serve para desconstruir os pensamentos machistas por meio de palestras, mídias e ações”, comenta.
 
As promotoras ressaltaram que a Lei Maria da Penha é um marco na história, porque 91% da população conhece a lei.
 
“Acredito que agora é preciso que a lei seja implementada, que aconteça a capacitação dos profissionais que cuidam das mulheres que sofrem violência e por fim, é preciso ter uma rede eficiente de serviços”, ressalta Valeria.  
 
A aluna do 3º termo do curso de Serviço Social da Toledo, Neila dos Santos, participou do evento é afirmou que foi muito proveitoso.
 
“Foi muito elucidativo, principalmente para nós que vamos atuar nessa área. Além disso, a palestra serviu para desmistificar alguns preconceitos”, explana.   

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